A Prática Variada: por que ninguém aprende a dirigir na auto-escola?

No livro de neurociências e educação chamado Como Aprendemos(foto abaixo) há um longo texto sobre várias pesquisas que foram realizadas sobre qual tipo de prática de uma nova habilidade é mais efetiva. A tentativa era de avaliar se a prática constante de uma mesma atividade realmente leva à maestria.

Best practice pinned on noticeboard

Depois de testes variados, em jogos de Tênis e testes de memórias, percebeu-se que a prática de atividades variadas forçam o cérebro a estar em constante adaptação. Praticar várias jogadas aleatoriamente provoca aprendizado mais acelerado que treinar uma jogada de cada vez. Memorizar informações associadas aleatoriamente também faz com que haja maior armazenamento e informações que tentar memorizar em blocos de informações semelhantes entre si.

Um exemplo desta forma de aprendizagem é como as crianças aprendem a falar. Ninguém combina de falar somente um conjunto de palavras isoladas. O convívio com adultos e outras crianças, faz com que aos poucos haja conexão entre sons e sentidos, de forma a gerar entendimento de uma forma de comunicação.

Paulo Freire, talvez um dos maiores educadores da história, já se utilizava desta técnica para ensinar adultos a ler e escrever. Ao invés de usar a forma tradicional, em que aprendemos sílabas em conjuntos separados, que depois formarão palavras, ele utilizava as palavras prontas associadas a atividades do cotidiano de cada pessoa. E conseguiu fazer com que ocorresse aprendizagem acelerada em muitos, quebrando o paradigma da didática em partes isoladas e compartimentalizadas. Um entendimento de que aprendemos por conexões e associações.

 

Por que a auto-escola?

Usei o título da auto-escola devido a discussões que já tive com meu pai (que é muito inteligente e muito teimoso) sobre o tema direção automotiva. Sempre fui firme na ideia de que ninguém aprende a dirigir durante as práticas para conseguir a habilitação. As práticas são monótonas e repetitivas e em muito pouco se assemelham com as atividades que serão desenvolvidas durante a direção habitual pelas ruas da cidade. A prática nem mesmo se parece com a direção de rua que será testada durante o exame! Contudo nunca tinha encontrado nada que corroborasse o pensamento de prática variada como uma forma de aprendizagem acelerada.

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E o que isso tem a ver com os estudos?

Estudar uma mesma matéria durante muitas horas pode ser muito menos produtivo que alternar entre matérias diferentes. Permanecendo na mesma matéria, podemos alternar entre fazer resumos, resolver questões, tentar evocar da memória o que já foi aprendido e escrever numa folha avulsa, enfim, variar a técnica.

Além disso, o livro fala de variar locais de estudo, para que os estímulos ambientais diferentes façam novas e diferentes associações cerebrais e facilitem o resgate de uma informação num momento posterior.

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O importante é evitar que o cérebro entre em um estado de tédio e redução de atividade após se manter em uma mesma tarefa. A automatização do estudo não é produtiva. Estudo e aprendizado são processos ativos e que demandam energia. Se estiver muito fácil, está errado.

Espero ter te ajudado. Deixe comentários, sugira novos temas e não acredite no que eu digo. Teste as técnicas e encontre o que funciona para você.

 

Fontes:

Como aprendemos

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