O Ensino Egoísta: quando o professor aprende mais que o aluno

Neste texto vamos falar de ensinar para aprender. O entendimento da neurociência é de que quem ensina, aprende ainda mais pois precisa de um nível mais profundo de domínio do assunto a ser repassado.

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Você provavelmente já esteve na incômoda posição de ter que apresentar uma aula sobre um assunto que não dominava ou nunca tinha ouvido falar. No entanto, com a pesquisa que realiza, com a reunião de informações, você desenvolve um conhecimento profundo sobre este tema. E mais do que isso, este conhecimento se mostra permanecer por um tempo mais longo.

Quando percebi este fato, por volta da metade da faculdade, comecei a fazer aulas dos assuntos estudados, como se fosse apresentá-los. Tenho centenas deles pois mantive esta técnica de estudo(com bons resultados!) durante 2 ou 3 anos. Depois disso desenvolvi uma jornada de 2 anos em que escrevia sobre Ginecologia e Obstetrícia, a minha especialidade médica, no site www.gravidezesaudedamulher.com.

E este processo é repetido todas as vezes que escrevo. Buscar construir frases que se contextualizem, texto com linearidade, figuras que exemplifiquem e chamem a atenção do leitor. Tudo isso gera gasto energético cerebral e formação de novas conexões(ou seja conhecimento!).

E o aprendizado que tive com estas atividades foi incomparável em relação a tudo que já tinha testado em termos de estudo. Era realmente efetivo. Mas por que isso acontece?

1 – A Pressão Social

A pressão social de apresentar uma aula, medo de ser rechaçado em público, de ser ridicularizado( desde que você se importe com a atividade desenvolvida!), leva o estudante a buscar um conhecimento sem falhas. Não escrever aquilo que não sabe explicar. Não botar informações soltas. Mensagem limpa. Figuras que representem a ideia.

Voltamos à ideia do gasto de energia cerebral. Uma vez que haja empenho em formar um esquema inteligível da ideia, seu cérebro formará novas conexões que poderão ser acessadas em um momento futuro em forma de memória e conhecimento reaplicável.

Além disso, caso haja questionamentos sobre a aula, seja da plateia ou do professor, o apresentador buscará se cercar dos conhecimentos necessários para responder o que for solicitado. Mais um reforço para reter informações sobre o assunto.

Provavelmente a presença destes estímulos emocionais potencialize ainda mais a obtenção de redes de conexões neurais, amplificando, e muito, o aprendizado e a formação de conhecimento.

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2 – Formação de novas estratégias com base no público

Caso você tenha estudado alguma coisa sobre aprendizado, logo terá se deparado com a máxima de que pessoas diferentes aprendem de formas diferentes. Há diversas formas de ter acesso a uma mesma informação e geralmente quem deseja ter a sua mensagem passada com excelência, enriquece sua aula com imagens, sons, vídeos, etc.

Desta forma você acaba ativando em si, vários canais cerebrais diferentes para armazenar a mesma informação. E adivinhe? As memórias formadas serão muito mais ricas e provavelmente mais acessíveis em uma necessidade futura.

3 – Pesquisa em várias fontes

Quanto mais complexo o tema a ser apresentado, maior número de fontes você precisará consultar. Desta forma, terá um perfil variado de informações sobre o tema que podem incluir:

  • Textos
  • Artigos científicos
  • Opiniões de professores e/ou especialistas no assunto
  • Figuras
  • Vídeos
  • Filmes e documentários

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Então a aprendizagem por “ensino egoísta funciona?”

SIM. Quando me perguntam por que eu escrevo este blog: por que eu sou o maior beneficiado. Explicar estes conceitos os mantém vivos em minha mente e me fortalecem na minha jornada dos estudos. E de quebra ainda ajudo outros estudantes a quebrarem as correntes do “eu sou assim”, “eu só sei estudar assim”, “queria estudar mais”, e buscarem novas formas de adquirir conhecimento.

Numa sociedade com um fluxo frenético de informações, as formas mais lineares e ortodoxas de ensino e estudo podem te colocar em desvantagem na busca por um objetivo. Adquirir ferramentas te dá mobilidade e expande os seus horizontes. Não é clichê. Nem tudo o que há aqui servirá para você. A diferença está em se testar e descobrir o que funciona para você.

Fontes: 

Como Aprendemos. Benedict Carey.

Como aprendemos

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